CENSURA no Paraná

O Lançamento do Jornal em Curitiba é boicotado pela Fundação Cultural de Curitiba

CARTA ABERTA-DENÚNCIA de CENSURA praticada  pela

  FUNDAÇÃO CULTURAL DE CURITIBA

(OU A GLOBALIZAÇÃO DO AUTORITARISMO)

             Desde 11 de setembro, com as quedas das torres do WTC em NY, o mundo vem sofrendo uma onda neofascista. Um país exemplo de conquistas em liberdades civis, os E.U.A., sofre de um retrocesso e um aumento de mecanismo de controle e vigilância. Exemplos se sucedem, como os pensamentos do primeiro ministro italiano, a própria guerra americana no Afeganistão e agora o genocídio produzido por judeus. Na França, e em vários pontos mundiais, a extrema-direita aparenta força.

            No Brasil, ainda não poderia ser diferente, pela dependência e neocolonização cultural e econômica. Veja por exemplo o que é feito com os que lutam por terras para trabalhar onde há um mar de propriedades improdutivas e roubadas. O processo cultural espelha e mantém o mecanismo econômico e político. Como fala o escritor Ariano Suassuna, há o Brasil Oficial e o Brasil Real. E cada um possui sua cultura. O MST é o Brasil Real e FHC é o Brasil Oficial.

            Há menos de 20 dias atrás, um caso virou notícia em Belo Horizonte: a nova diretoria do Centro Cultural da UFMG teve uma atitude que foi considerada racista, expulsou do uso de seus espaços um grupo de Capoeira Angola e outro de danças afro-brasileiras. (veja matéria do Diário da Tarde no site da Soma)

            E a onda chega em Curitiba. Cidade modelo para alguns e laboratório de vendas do capitalismo para outros, ela entra na globalização do fascismo. Num evento cultural produzido pela Somaterapia, para dias 10 e 12 de maio de 2002. Tivemos um boicote nos espaços da população gerenciados pela Fundação Cultural de Curitiba, após anos de produção e confiança prévia.

            Sutilmente a censura aparece na programada apresentação de capoeira angola, anarquismo, liberdade de opção e expressão num jornal que propõe prazer e liberdade, o TESÃO – Prazer e Anarkia. Cultura popular ou alternativa que são e buscam a cultura do Brasil Real.

            Desde 1990, participo destas atividades culturais e nesta semana percebi uma exclusão explícita. A quatro dias do evento tínhamos reservados espaço no Teatro Londrina do Memorial de Curitiba e a Sala Scabi no Centro Cultural Solar do Barão. E a três dias do evento, recebemos uma negativa de confirmação dos espaços, após certezas verbais. A argumentação era que apareceu uma atividade “artística” para o Teatro Londrina posterior a nossa reserva. E estranhamente cancelando o espaço já confirmado para o Workshop de Soma-Iê, que só estávamos aguardando uma liberação ou desconto da taxa de pagamento pelo uso, na Sala Scabi.

Interessante que ao falar com a Sra. Eliane Marcassa, Diretora de Espaços Culturais da Fundação Cultural de Curitiba (FCC), recebi a confirmação da CENSURA, através da negação de pratica-la, e alegando que nosso evento não se enquadra no critério “artístico e cultural” da FCC.

            Caso a FCC de Curitiba não conhecesse nossa proposta, poderíamos explicar o caráter “artístico e cultural” da Capoeira Angola, do jornal distribuído gratuitamente e que fala de ‘Prazer e Liberdade’, ou ainda de um bate-papo sobre anarquismo e terapia que visa o desbloqueio da criatividade. Mas como sabem o que fazemos, nos excluíram justificados em trâmites burocráticos. Interessante que há dez dias atrás, ministrei um Workshop como o programado para domingo, dia 12, no VII Encontro Nacional dos Estudantes de Arte em São Carlos, dias 29 e 30 de Abril de 2002. O critério dos estudantes de arte do ensino superior no Brasil ainda não foi afetado pela onda reacionária, pois pra eles até a Soma-Iê, enquanto técnica terapêutica, é ARTE. Numa visão do Brasil Real.

            Minha obra e divulgação, tem sido divulgar a Capoeira Angola como ARTE, apesar de cultura popular que incomoda o Brasil Oficial. Além de ARTE é revolucionária, por isso seu uso pela terapia e seu incomodo aos poderes instituídos.

            A CENSURA impetrada sobre nosso evento é somente um primeiro passo de autoritarismos do poder. Sentindo-se ameaçado, opta pelo fechamento. Sabemos e vamos reagir, divulgando esta carta na Web, na mídia e durante o evento nos locais que foram divulgados (estamos transferindo). Vamos, na sexta-feira, dia 10 de Maio ás 20h, fazer a apresentação da Capoeira Angola na rua, em frente ao Memorial de Curitiba. E no domingo dia 12 de maio ás 15h, estamos procurando um espaço alternativo.

O perigo que agora ameaça a cultura em Curitiba é saber até onde essa política cultural excludente irá se apoderar da FCC. Começou com os mais visíveis: um jornal assumidamente anarquista e assim apartidário, o TESÃO; uma técnica de libertação, a Soma-Iê, e seus debates públicos; e a tradição popular da capoeira angola que implantamos em Curitiba, que gerou outros grupos.

Lembro a FCC e a população curitibana, que nos anos anteriores – pré-WTC, tivemos as portas abertas e efetuamos produções conjuntas. Inclusive com a mesma temática. Este ano, o jornal TESÃO foi relançado e teve boa aceitação em São Paulo e Recife. Curitiba será a terceira cidade a fazer o lançamento, que depois acontecerá em Belo Horizonte, Salvador e Campinas; está com medo e tenta censurar através do boicote. Vamos reagir e não aceitar, que sirva de exemplo, pois o próximo pode ser você, artista ou produtor cultural do Brasil Real. A Fundação através da diretoria e seus subordinados representam o Brasil Oficial e que gostam do exercício do autoritarismo. Luto por uma outra sociedade, e denuncio atitudes que deveriam ser de incentivo cultural para todos, sem exclusões. 

 

Sem mais,

 Rui Takeguma 

 Somaterapeuta de SOMA-IÊ, fotógrafo, professor do Iê de SP, participante da FACA e anarquista indignado com o fascismo em sua terra natal.

www.soma.pagina.de

somaterapia@uol.com.br

somaterapia@bol.com.br

 Se você recebeu esta carta, agradeceria a divulgação desta. Estou aberto a informar detalhes da produção e debater sobre os FALSOS ARGUMENTOS que nos tentaram fazer engolir.

Lembro que até o ano passado, a mídia do Paraná nunca nos censurou explicitamente. Em 2001 um evento como o programado para agora, teve atenção dos principais jornais, rádios e tv’s. Como exemplo, Freire falou de TESÃO no Jornal estadual da Rede Globo e falei da Capoeira Angola e Soma, na TV Educativa e TV Exclusiva.

Como provocação final levanto algumas perguntas para você responder:

-          O que aconteceu dos anos passado que há dois anos seguidos a capoeira angola é apresentada no Teatro Londrina e este ano, não é arte ??

-          Seria coincidência a Capoeira Angola ser cortada em Belo Horizonte e em menos de um mês em Curitiba, inspiração ou cópia ??

-          Se fosse somente por problemas burocráticos, a FCC após receber divulgação de apoio em cartazes e panfletos, não nos ajudaria a trocar de espaços, ou todos os espaços da FCC estarão em uso nas datas reservadas ??

-          Será uma censura a algum texto em especial (Leia a crônica de uma pessoa de Curitiba que escreveu A METRÓPOLE) ou será uma censura ao voto nulo em ANO ELEITORAL ????

-          Ou será que só fomos aceitos nos anos anteriores, pela presença de Roberto Freire (por motivos de saúde este ano não participa), será que devido ao seu curriculum a FCC nos engolia ??

-          Enfim, escrevi um texto neste número zero do Jornal intitulado CRITIQUE VOCÊ MESMO, espero que você leitor, faça o mesmo em relação a este incidente e aos próximos ao seu alcance, seja da FCC ou de familiares e amigos.

veja o que aconteceu....

censura parte 2


Inicial  !  N o v i d a d e s  Antiguidades  !  Roberto Freire  !  Rui Takeguma  !  Eventos 2001  !  Eventos 2000  !   Oficina de Criatividade Libertária  !  Anarkia e Projeto Ravachol  !  Prêmio Walter Firmo de Fotografia  !  Nova Lima, Visconde de Mauá e Lençóis  !  Artigos Tesão  !  Artigos Amigos  !  Vídeos por Correio  !  Livros por Correio  !  Link's  !  Iê Grupo Anarquista de Capoeira Angola  ! Espaço Cultural Tesão  !