DECÁLOGO SOBRE LIBERDADE COMO PREFÁCIO CRÍTICO À AEROPAGÍTICA, DE JOHN MILTON, EDITADA PELA TOP-BOOKS, 1999. (ÊTA NÓIS, HEIN, MÃE?)
I.

Só existe um modo de ser livre: ser o opressor.

II.
O escravo quase sempre é colaborador de sua escravidão.
III.
A Constituição, que institui que todo homem tem direito à liberdade, não conhece o homem padrão. Ele tem que ser obrigado à liberdade.
IV.
A liberdade absoluta só existe em momentos-limite, quando não se tem mais nada a perder.
V.
A satisfação de nosso ego (liberdade) só é alcançado em detrimento de algum outro (ou de muitos outros) egos. Portanto a liberdade mesmo utópica só poderá ser a média da satisfação de todos os egos. Uma insatisfação. Uma mediocridade.
VI.
Deve-se exigir toda liberdade dos que estão acima. E ser leniente na exigência de contrapartida dos que estão abaixo. Mas o contrário é mais factível.
VII.
O carcereiro não pode vigiar o prisioneiro o tempo todo. O encarcerado pode fugir a qualquer descuido. Donde o prisioneiro ser (filosoficamente) mais livre do que o carcereiro.
VIII.
As prisões mais sujas, todos sabem, são as mais livres.
IX.
Ninguém pode nos dar liberdade. Mas qualquer um pode tirar, a começar pelos pais, trazendo-nos ao mundo em condições inadequadas.
X.
Com liberdade total o mais forte domina o mais fraco em nome de sua liberdade, o mais inteligente espezinha o mais ignorante em nome de sua inteligência, o mais belo seduz mais em detrimento do fisicamente destituído. Franklin, ao fazer o lema da revolução francesa, Liberdade, Igualdade e Fraternidade, usou o elemento conciliador e humanístico Fraternidade para sugerir um equilíbrio impossível no paradoxo Liberdade x Igualdade.

http://www.uol.com.br/millor/home.htm - tirado na net em maio de 2003

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